terça-feira, 25 de setembro de 2012

ECOLOGIA HUMANA: UM ENFOQUE DAS RELACÕES HOMEM-AMBIENTE

RESUMO

Neste texto são apresentadas as principais linhas contemporâneas de pesquisa em ecologia humana. A interação de populações humanas com o ambiente é analisada sob o ponto de vista da ecologia e de disciplinas afins, como a antropologia. Inicialmente são expostos alguns aspectos da ecologia de sistemas e evolutiva, que junto com outras disciplinas formam a base da ecologia cultural, etnobiologia e sociobiologia. Sobre a ecologia cultural, são descritos os trabalhos de precursores, com relação aos conceitos e métodos de ecologia cultural e evolução multilinear (J. Steward) e à associação entre energia gasta e complexidade cultural (L. White). São também citados os trabalhos dos neofuncionalistas, como M. Harris e R. Rappaport, e de neoevolucionistas, em particular referentes à pesquisas realizadas sobre a Amazônia. Finalmente, a linha de antropologia processual, considerada como parte da ecologia cultural, é brevemente descrita. A área de etnobiologia inclui a análise dos sistemas de classificação popular, ou seja, de como as diferentes culturas percebem, conhecem e classificam a natureza. Sobre a sociobiologia, alguns trabalhos de W. Hamilton, E. O. Wilson e P. Trivers, dentre outros, são expostos, incluindo os conceitos de aptidão inclusiva e de altruismo recíproco. Modelos oriundos da ecologia, usados para analisar o comportamento humano, também são analisados. Estes são os modelos de subsistência, usados para entender procura e obtenção de alimento e os modelos de transmissão cultural, que incluem em particular a coevolução en tu gens e cultura. Os modelos de subsistência incluem os modelos de decisões, o goal model, e a teoria de jogos, dentre outros. Entretanto, atenção especial é de dicada ao modelo de forrageamento ótimo. Os modelos de transmissão cultural podem incluir o coeficiente de similaridade cultural e as forças de evolução cultural de R. Boyd e P. Richerson. Finalmente, aspectos de ecologia aplicada, com ênfase em crescimento populacional e disponibilidade de recursos, são discutidos. Vale mencionar a complementaridade das linhas de pensamiento e pesquisa apresentadas, já que incluem perguntas e metodologias próprias. Cabe a cada linha contribuir muito para o entendimiento de uma pequena faceta da relação homem-ambiente. / PALAVRA CHAVE / Ecologia Humana / Etnobiologia / Sociobiologia /

Apesar da ecologia humana se basear em conceitos oriundos da ecologia, ou seja, de uma das sub-áreas da biologia, a ecologia humana, não é necessariamente vista como uma das ramificações da ecologia. Para muitos, estudar a "relação do homem com o ambiente" inclui tantos outros fatores (como econômicos, sociais, psicológicos) que a ecologia humana transcende a ecologia. Para outros, a ecologia humana tem objetivos e metodologias mais específicos e que incluem entender o comportamento humano sob variáveis ambientais. Para estes, generalizar acerca da ecologia humana implica em perda de precisão.
Além disso, a utilização de conceitos ecológicos por outras áreas, como sociologia e antropologia, por exemplo, tem causado polêmica devido a imprecisões de definição e de utilização. Exemplo são os conceitos de adaptação (Alland & MacCay, 1973), nicho (Hardesty, 1975, 1977) e ambiente (Bruhn, 1974; Boyd & Richerson, 1985). Em relação ao conceito de adaptação, um dos problemas é entender o que isto significa para a espécie humana: sucesso reprodutivo? Adaptação do indivíduo ou do grupo? O conceito de nicho tem sido amplamente utilizado em ciências sociais como sinônimo de habitat (Diegues 1983: 38, 83), quando sua definição é muito mais ampla e envolve uma gama de variáveis ambientais (Pianka, 1983). Quanto ao ambiente é comum incluir "ambiente social" como uma variável ambiental, o que significa ampliar o conceito de ambiente ao aplicá-lo a populações humanas. Fica-se então entre várias "ecologias humanas" oriundas de áreas diferentes e com conceitos muitas vezes indefinidos ou pouco claros, ou com uma ecologia humana "reducionista".
Na realidade, neste século, a ecologia humana percorreu caminhos diferentes, dependendo de sua origem disciplinar. Dentro da área de ecologia, também encontram-se enfoques distintos, decorrentes de linhas da área como também de conjugações diferentes entre áreas (ecologia/antropología, ecologia/demografia).
De acordo com a revisão de Bruhn (1974), áreas como a antropologia, geografia, sociologia e psicologia apresentam desenvolvimentos próprios de ecologia humana. Na área de geografia, chegou-se a considerar que todo este campo deveria ser chamado de "ecologia humana".
Na sociologia, as bases iniciais da ecologia humana foram influenciadas por H. Spencer e E. Durkheim. De acordo com Fischer-Harrierausen (1976), a ecologia humana derivada Morfologia social (Morphologie sociale) de Durkheim e nos anos vinte foi: estabelecida especialmente por R. Park na Universidade de Chicago. Rojo (1991) considera 3 períodos com contribuições diferentes: de 1910 a 1940, quando as bases teóricas para uma "teoria sociológica de sistemas" são aprofundadas, de 1950 a 1960, com estudos demográficos e a partir de 1970, com enfoque interdisciplinar e ênfase em política ambiental.
Em particular, a "Escola de Chicago" causou bastante polêmica no início deste século. Desta época, bastante conhecido é o "modelo de zonas concêntricas" (concentric zone model) de Burgess (1925). Neste modelo, a cidade (no caso Chicago) é distribuída em zonas concêntricas ao redor de um nódulo central que é dominado por atividades comerciais e industriais. Na área residencial, o status social sobe com a distância, ao ponto central. A Escola de Chicago utilizou conceitos como competição e sucessão em seus estudos. Desta linha de pesquisa surge a "ecologia fatorial" (factorial ecology) onde métodos estatísticos, como análise de componentes principais e multivariada, são aplicados ao estudo das distribuições espaciais em cidades (Cater & Jones, 1989). A área de "ecologia urbana" é certamente associada em seu início à Escola de Chicago e à sociologia. Cabe entretanto ressaltar que também na arquitetura surgiram estudos de planejamento urbano baseados em conceitos da ecologia (Malmberg, 1986).
Outra área que merece destaque é a de epidemiologia, também chamada de ecologia humana. Esta linha, com influência marcadamente européia, é representada no "centro Europeu de Ecologia Humana" em Genebra. O periódico Ecologia humana y saludda Organizagáo Panamericana de Saúde (OMS) também representa esta linha.
Há ainda na Europa (França) a escola de Etnologia Social que é considerada uma escola de ecologia humana onde os objetivos centrais são a comparação entre sociedades industriais e não-industriais (Malmberg, 1986).
Nos Estados Unidos, desde a segunda metade deste século, a ecologia humana tem sido bastante associada à ecologia/antropologia, e o periódico "Human Ecology" é certamente um exemplo desta abordagem.
Outras abordagens ainda são a "ecologia social", onde relações econômicas e sociais em conjunto com variáveis ambientais são estudadas, como o trabalho de Watt (1975) sobre uso de energia e terra. Há ainda a "psicologia ambiental", com enfoques na percepção ambiental ou nos efeitos de poluentes sobre o comportamento humano (Evans, 1980); Evans & Jacobs, 1981). Pesquisadores de diversas abordagens são encontrados em Borden (1986) e no Directory of human ecologists organizado por Borden & Jacobs (1989).
A discussão ao redor do que deve ser a ecologia humana ainda persiste. Ou seja, deve esta ser uma disciplina ou estar diluída em várias disciplinas? Fuchs (1976) ao comentar o "Primeiro Encontro Internacional de Ecologia Humana", em Viena, Áustria, acredita que esta pode ser uma nova disciplina com sistemática e metodologia próprias. Esta visão é compartilhada por Malmberg (1986). Richerson (1977) sugere que pode ser desenvolvida uma teoria em ecologia humana a partir de similaridades teóricas entre as ciências biológicas e sociais.
O objetivo deste trabalho não é aprofundar a questão acima, mas sim apresentar o que é ecologia humana "dentro da ecologia". Longe também de ser uma única linha de trabalho, esta pode ser dividida em pelo menos 3 abordagens: a de sistemas, a evolutiva e a aplicada ou demográfica. Atenção especial será dada à ecologia evolutiva, onde serão abordados aspectos de antropologia (ecologia cultural e etnobiologia) e modelos de ecologia animal e evolução cultural (modelos de subsistência e de transmissão cultural). As abordagens citadas não se contrapõem e são conjugadas em algumas áreas, como na ecologia cultural que inclui as ecologias de sistema e evolutiva.
... áreas como a antropologia, geografia, sociologia e psicologia apresentam desenvolvimentos próprios de ecologia humana.
Ecologia de Sistemas
A teoria de sistemas originou-se de áreas como cibernética, engenharia, teoria da organização industrial, epidemiologia e psicologiagestalt. Este método tem sido aplicado com sucesso no estudo do fluxo de energia em organismos e comunidades (Rodin et al. 1978). Para os pesquisadores que trabalham com manejo de recursos, a abordagem sistêmica garante a computação de informações relevantes para a toma de decisões sobre utilização de recursos (Churchman, 1979).
De acordo com Odum (1972), a aplicação de procedimentos de análise de sistemas em ecologia ficou conhecida como "ecologia de sistemas". Esta abordagem focaliza o estudo do ecossistema. De acordo com Huston et al. (1988), a pesquisa de ecossistema trata da interação entre os organismos e o ambiente num nível acima do indivíduo. Por exemplo, os nutrientes e a produtividade de florestas são modelados e medidos em hectares e grupos de espécies são vistos como produtores, consumidores ou decompositores.
Os ciclos de nutrientes e fluxos de energia tornam as diversas partes do planeta interligadas. Assim, uma floresta, um lago, o mar, ou o planeta constituem um ecossistema (Smith, 1975) Este enfoque tem como linha principal de estudo o ciclo de nutrientes, as cadeias alimentares e o fiuxo de energia entre os organismos (ou seja, o estudo do aspecto funcional do ecossistema). Ecólogos de sistemas, como Margalef (1968), definem a ecologia como "a biologia dos ecossistemas". O estudo do fluxo de energia dentro de um sistema é a "ecologia energética". Nesta linha, Phillipson (1977) define o estudo da ecologia como o estudo das inter-relações dentro de ecossistemas.
Quanto ao estudo do homem, Margalef (1977) considera dois enfoques: a) considerando o homem como uma espécie a mais componente dos ecossistemas; b) como dois sub-sistemas (homem/natureza). O primeiro é enfatizado, como mais científico e o segundo como mais prático. Na realidade, o primero enfoque tem sido característico das ciências biológicas e o segundo das sociais.
Na linha de ecologia humana de sistemas destaca-se o estudo clássico de H. Odum (1971). De acordo com este autor, a natureza, em sua estrutura e função, consiste de animais, plantas, microorganismos e sociedades humanas. As partes vivas são interligadas pelo fluxo de substâncias químicas e energia. A parte do sistema que envolve intercâmbios humanos inclui partes referentes à troca de informações (linguagem) e trocas econômicas (monetárias). H. Odum (1971) utiliza conceitos e modelos de ecologia de sistemas/energética para descrever, dentre outros, modelos de subsistência (caça/agricultura), políticos e religiosos. Nestes modelos, símbolos de redes elétricas são utilizados.
Brandt et al. (1980) desenvolveram um modelo que simula o balanço energético anual de indivíduos e famílias de uma hipotética comunidade Quechua pastoril e agrária dos Andes. Variáveis como diferentes culturas, produtividade, fatores abióticos e doenças fazem parte do modelo, como também são apresentados os fluxos de energia de uma família Quechua.
Um estudo recente, no Brasil, de ecologia humana de sistemas é o de Fearnside (1986). Neste estudo, a relação entre população, agricultura, alocação da produção e capacidade de suporte é simulada em Fortran-IV. O "agroecossistema" simulado inclui inputs como qualidade dos solos, dados metereológicos, tipos de colonos (fatores ecológicos e sociais). Estes inputs geram valores referentes à capacidade de suporte do ambiente.
Ainda sob um enfoque ecossistêmico, ou com uma abordagem holista, vale citar os livros de Boughey (1975) e Campbell (1983). Estes autores adicionaram a esta abordagem a origem e evolução do homem.
Ecologia Evolutiva
A ecologia é definida por Pianka (1983) como o estudo das interrelações dos organismos com o ambiente. Este é definido como a soma total dos fatores físicos (abióticos) e biológicos (bióticos). Cada organismos é membro de uma população, espécie ou comunidade. A ecologia evolutiva visa entender a relação dos indivíduos/populações com o ambiente*. O conceito de fitness(adaptabilidade) é um dos pilares da ecologia evolutiva. Fitness é a capacidade de um organismo se perpetuar e é medido pelo sucesso reprodutivo deste organismo. Avaliar o sucesso reprodutivo de um organismo é fundamental para enentender a relação organismo/ambiente porque o sucesso reprodutivo é de erminado pelo status do organismo dentro de sua população, pelas associações interespecíficas deste e pela comunidade em que este se encontra.

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*sob esse enfoque, as partes de um sistema nao são "caixas pretas".

Nesse sentido, a seleção natural, a genética e a ecologia de populações são o cerne da ecologia evolutiva. De acordo com Pianka (1983), a seleção natural é o único conceito em ecologia que pode ser considerado como uma lei. Para a maioria dos biólogos, a seleção natural opera em indivíduos através de seus fenótipos. Neste sentido, o nível de estudo da ecologia evolutiva não está no "ecossistema como um todo" mas na relação dos indivíduos/populações com o ambiente. Para uma discussão sobre a unidade de seleção, veja Willems, 1966; Wilson, 1975 e Wynne-Edwards, 1986; Dawkins (1979: 21-31). em particular, é bastante didático. Além disto, estudos que envolvem populações de espécies diferentes (uma comunidade) também são parte da ecologia evolutiva.
Em populações humanas, o conceito de nicho ecológico tem sido bastante útil, sendo este em geral estimado através de índices de diversidade (Hardesty, 1975, 1977). Modelos de "predador-presa" também são usados para entender o comportamento de coleta, caça e pesca.
Da interação da ecologia (evolutiva e de sistemas) com a antropologia, surge a ecologia cultural ou antropologia ecológica. Apesar da forte influência evolutiva na ecologia cultural, a ecologia de sistemas também influenciou na disciplina, em particular entre os neo-funcionalistas dos anos 60. A interação da ecologia evolutiva com a etologia ajuda no surgimento da sociobiologia. Os modelos de subsistência usados em populações humanas, bem como os de transmissão cultural (ou evolução cultura), provém da ecologia evolutiva.
Neste texto, não serão discutidos problemas gerados pelo uso equivocado de conceitos evolutivos no início deste século, como o do "darwismo social". Estes problemas, como também a falsa contraposição de cultura versus gens, podem ser considerados como superados pela ciência atual. Pretendo abordar as linhas contemporâneas, ou seja, as que surgiram a partir dos anos 40-50.
... também na arquitetura surgiram estudos de planejamento urbano baseados em conceitos da ecologia.
Ecologia Cultural
A ecologia cultural ou antropologia ecológica nasceu nos Estados Unidos, em meados deste século, com Julian Steward e Leslie White. Tanto Steward como White foram seguidores de Boas (escola do particularismo histórico ou historicismo cultural). Evolucionistas do século passado, como Tylor (1871), Morgan (1871) e Engels (1884) influenciaram os ecólogos culturais. Orlove (1980) definiu três etapas da antropologia ecológica: a primeira, que inclui os trabalhos de Steward e White; a segunda, com o neoevolucionismo e neofuncionalismo e a terceira chamada de antropologia ecológica processual.
White (1943) explica a evolução cultural em termos de gastos de energia propondo "leis de evolução cultural". Para este autor, quanto maior a complexidade cultural, maior a energia/per capita/ano gasta. Para White, tecnologia e sociedade formam a base para a ideologia, e através das invenções tecnológicas há uma maior captura de energia possibilitando o crescimento populacional. Um exemplo desta abordagem é a comparação entre os Incas e os Índios da Amazônia: entre os Incas havia irrigação e maior densidade populacional que na Amazônia, onde o cultivo dava-se através de queimadas.
Steward (1955) propõe conceitos e metodologias para a ecologia cultural. Para ele, a cultura inclui tecnologia, economia e organização social. O conceito de culture core ("cerne cultural") é introduzido por Steward e este é definido como todas as características culturais relacionadas à subsistência e economia. O estudo da ecologia deve então ser o estudo do cerne cultural. Un dos exemplos do emprego deste método encontra-se no estudo sobre os índios Shoshone (1938). A ênfase de Steward está no estudo da quantidade qualidade e distribuição de recursos.
Outra contribuição importante de Steward (1955, 1977) é a de evolução multilinear. Em vez da evolução ser unilinear, como pensavam os evolucionistas do século passado, a cultura evolui através de várias linhas diferentes. Cada linha desta inclui culturas diferentes, mas com certas similaridades que relacionam-se a pressões ambientais semelhantes. Um exemplo é o surgimento das chamadassociedades hidráulicas, ou seja, de estados despóticos ou impérios em ambientes áridos, onde foi praticada a irrigação, como na Mesopotâmia, Egito, Norte da China, Norte do Peru e Mesoamérica. Ou ainda os chamados bandos patrilineais de caçadores que viviam em baixa densidade em ambientes com recursos esparsos, com tecnologia simples e lideranças temporárias. Estes eram, dentre outros, os Bosquímanos (Kalahari), Pigmeus (Congo), Semang (Maldsia), Negritos (Filipinas), Aborigenes (Austrália) e Ona (Terra do Fogo). Fazendo uma analogia com a biologia, estes seriam casos de convergêngia.
Orlove (1980) ressaltou que os neoevolucionistas consideraram Steward e White corretos, enquanto os neofuncionalistas os criticaram. Para Steward e White, a unidade de análise é a mesma, ou seja, a'cultura. Já para os neofuincionalistas, a unidade de estudo éa população. Os neofuncionalistas utilizam muito o conceito de adaptação, que não está estritamente relacionado à sobrevivência e reprodução, como em biologia (veja revisões de Alland, 1975 e Alland & McCay 1973).
Na linha neofuncionalista destacam-se pelo menos duas áreas: uma preocupada em encontrar variáveis ambientais que expliquem determinados comportamentos ou hábitos culturais e que inclui análises de custo/benefício dos mesmos e outra que utiliza energia, ciclo de nutrientes e ecologia de sistemas em suas análises. M. Harris; é um representante da primera e A. Vayda & R. Rappaport da segunda.
Harris (1979) ficou conhecido pela proposta do materialismo cultural. Nesta linha, infra-estrutura inclui os modos de produção, ou tecnologia e práticas de subsistência, e de reprodução, ou as práticas para expandir ou limitar a população. A estrutura inclui a economia doméstica (organização familiar, divisão de trabalho, dentre outros) e a economia política. A superestrutura inclui, por exemplo, os símbolos, mitos e ideologias. De acordo com o materialismo cultural, existem 4 componentes socioculturais: os éticos, que são a infra-estrutura, estrutura e super-estrutura, e a super-estrutura mental ou êmica (categorias, valores, filosofias, crenças). Para um aprofundamento dos conceitos de ético e êmico veja Harris (1976).
Harris (1977, 1985) também ficou muito conhecido por tentar explicar comportamentos bizarros (canibalismos e tabus alimentares, por exemplo). O canibalismo azteca é explicado por ele como uma forma de satisfazer as necessidades de proteína animal de uma população que vivia numa área onde ruminantes eram ausentes. Alimentar patos, perus e cachorros com cereais tornava muito custosa a alimentação, ainda mais quando nem sempre a agricultura era produtiva. Os aztecas sacrificavam os prisioneiros, cujos corpos eram jogados das pirâmides e recolhido em casas (calpulli) onde eram recortados e distribuídos à população. A quantidade de crânios pendurados em estacas de praças aztecas era impressionante, de acordo com as descrições históricos da época. Outro estudo conhecido do autor é sobre o tabu da vaca sagrada na índia. No caso, a conclusão de M. Harris é a de que a vaca é muito importante para ser eliminada (tabu de uso), por garantir o leite e o arado da terra, dentre outros (o consumo da vaca eliminaria seus benefícios).
A análise de custo/benefício usada por M. Harris tem influência evolutiva. Neste tipo de raciocínio está implícito o valor adaptativo de um determinado comportamento, que deve apresentar mais beneficios do que custos para permanecer na população. Entretanto, cabe a crítica de que nem toda característica é sempre "adaptativa" (Gould & Lewontin, 1978) e de que pode existir uma certa inércia cultural (tradições, por exemplo) ou mesmo traços; mal adaptados (Boy & Richerson, 1985). Uma extensão da linha materialista, tão característica dos anos 80, é a aplicação dos modelos de ecologia evolutiva (como forrageamento ótimo, por exemplo) na análise da subsistência das populações humanas.
Um trabalho clássico na linha de ecologia cultural, usando a abordagem sistêmica é estudo de Rappaport (1968) sobre o ritual do povo Maring (Tsembaga, Papua, Nova Guiné). Neste ritual, a guerra e o sacrifício e consumo dos porcos criados pela comunidade são descritos. Quando a quantidade de porcos aumentava próximo à capacidade de suporte, estes eram sacrificados numa grande festa onde eram formadas alianças e distribuída grande quantidade de carne. A regulação do sistema, homeostase e seleção de grupo são utilizados neste tipo de análise (veja Anderson, 1975, para uma revisão). É comum na descrição destes sistemas certa confusão entre causa e conseqüência como também circularidade nos argumentos (Richerson, 1977). Peoples (1982) reanalisou os dados de Rappaport (1968) sob o ponto de vista de seleção individual e não de grupo. Foin & Davis (1984) sugeríram, usando outros modelos, que o "festival de porcos" dos Tsembaga não tem um papel importante na regulação do ecossistema.
Hardesty (1975, 1977) aborda vários conceitos de ecologia aplicados ao estudo de populações humanas e utiliza, em particular, índices de diversidade para comparar a utilização de recursos por populações humanas. O conceito de nicho ecológico é aprofundado por este autor.
De uma maneira geral, o neofuncionalismo ao considerar a população como uma unidade de estudo deixa de analisar diferenças internas da população. Por exemplo, no caso do tabu da vaca sagrada na índia, as diferenças no consumo de carne pelas diversas castas são ignoradas.
Os neoevolucionistas podem ser exemplificados pelo debate sobre a origem da agricultura e do estado e sobre a disponibilidade de recursos na Amazônia (Orlove, 1980). Vale destacar a hipótese de Carneiro (1970) sobre circunscrição geográfica e a origem do estado. As culturas das regiões do Nilo, do Tigre e Eufrates, da Meso-América e do Peru são comparadas com aquelas sem estado da Amazônia.
Em particular sobre a Amazônia, Meggers (1971) inicia o debate sobre a complexidade das culturas da várzea em comparação com as de terra firme. Gross (1975) propõe a hipótese de escassez de proteína animal na Amazônia, criticada por Chagnon & Hames (1980). Este debate é analisado em detalhe por Neves (1989).
A discussão ao redor do que deve ser a ecologia humana ainda persiste.
Uma outra linha de trabalho, ainda em ecologia cultural, e crítica aos materialistas é a representada por Sahlins (1976). Para Sahlins, o principal na análise dos comportamentos é a ideologia e não o ambiente. O debate Sahlins/Harris ficou conhecido e pode ser exemplificado pelo estudo dos tabus alimentares. Sahlins (1976) considera critérios simbólicos para explicar porque certos animais são consumidos pelos americanos e outros não. Há um gradiente do não comestível/semelhante àhumanidade ao comestível/diferente da humanidade que pode ser representado pelos itens cachorro-cavalo-porco-gado. Ou seja, o cachorro é menos çomestível porque é más semelhante; dése nome e carinho ao cachorro. Esta linha é incluída na antropologia simbólica e em particular, no estudo dos tabus alimentares, a influência de Douglas (1966) é forte. Os simbolistas criticam o critério de utilidade e as análies de custo/benefício dos materialistas, considerados por eles como reducionistas; os materialistas consideram as abordagens simbolistas dentro de critério popperiano, como não falséavéis ou científicas.
A antropologia processual pode ser considerada como a ecologia cultural dos anos 80. Como na ecologia evolutiva, a unidade de análise passa a ser o indivíduo e conceitos de adaptação e nicho são utilizados. Aspectos demográficos e econômicos (sistemas de produção e economia política) são incluídos. Os objetivos são entender os processos de mudança e o comportamento dos indivíduos nestes processos.
Mudanças sociais e econômicas e difusão de inonações são assuntos para a antropologia processual. Alguns exemplos são a linha de Boserup (1981), relacionada ao desenvolvimento tecnológico e crescimento populacional, a de Vayda & McCay (1975) com relação a respostas de indivíduos ou grupos a situações de catástrofes ambientais (secas e enchentes, por exemplo) e a de McCay (1978) que inclui estratégias adaptativas. Essas estratégias são exemplificadas na reação de uma população de pescadores (Fogo Island, Newfoundland, Canadá) à sobrepesca: alguns procuram trabalhos (diversificação) e outros buscam formas de obter melhores resultados na pesca (intensifição).
Finalmente, cabe citar o trabalho de Netting (1977), que sistematizou conceitos e debates na área de ecologia cultural, incluindo populações de caçadores-coletores, pescadores, pastores e horticultores.
Etnobiologia
A etnobiologia originase da antropologia cognitiva, em particular da etnociência, que busca entender como o mundo é percebido, conhecido e classificado por diversas culturas humanas. A etnobiologia tem como objetivo analisar a classificação das comunidades humanas sobre a natureza, em particular sobre os organismos. Por isso, disciplinas como botãnica, ecologia e zoologia são fundamentais, caso não se tenha a intenção de ter apenas uma abordagem êmica.
Lévi-Straus (1962) é um dos iniciadores da área de etnobiologia, ao analisar os sistemas de classificação populares e compará-los com os científicos. Berlin (1973) define 3 áreas de estudo em sistemática folk: a da classificação, que estuda os princípios de organização de organismos em classes, e da nomenclatura, onde são estudados os principios lingüísticos para dar nomes às classes da classificação folk e a da identificação, que estuda a relação entre os caracteres dos organismos e a sua classificação. De acordo com o autor, na maioria das taxonomias folk existem 5 categorias: iniciador único (unique begginer), forma de vida (life form), gênero, espécie e variedade.
Uma das perguntas básicas nos estudos de etnobiologia se refere à existência ou não de regras ou princípios universais de clasificação. Berlin (1973) e Boster et al. (1986) sugerem que a semelhança entre as toxonomias científicas e folk reforçam esta hipótese, como também reforçam a idéia da realidade das espécies.
A área de etnobotânica é aquela onde se encontram mais estudos de etnobiologia. Na área de etnozoologia, a etno-ornitologia e etnoietiologia são mais difundidas. A etnofarmacologia estuda os remédios folk, em geral baseados em plantas medicinais (Etkin, 1988), sendo também muito difundida. É provável que a "utilidade" explique a maior existência de estudos nestas áreas. Ou seja, existem mais estudos onde há classificação folk mais detalhada. Por exemplo, plantas medicinais são usadas em todas as culturas humanas, pássaros são úteis como alimento e ornamento para muitas populações e peixes são úteis para alimento e comércio. Entretanto, a hipótese da "utilidade" é ainda o centro de um debate na área. Lévi-Strauss (1962) defende a idéia de que as espécies animais e vegetais são úteis ou interessantes porque são primeiro conhecidas. Além disto, o autor acredita que conhecimentos tão detalhados de tantas culturas não se devem só a sua utilidade prática. Entretanto, Berlin (1973) observa que os taxa a nível de espécie em taxonomias folk raramente incluem mais de 3 membros, exceto aqueles de extremo significado cultural. Cabe lembrar que "utilidade" aqui deve ser vista não só em termos de alimento, medicina ou troca. Muitas vezes uma espécie é importante por ser perigosa. Por exemplo, conhecer bem as serpentes deve ser vantajoso em termos de sobrevivência. Para detalhes sobre esta polêmica, veja Hays (1982).
No Brasil, os trabalhos de Posey (1983a,b) sobre etnobotânica, etnoentomologia e etnoecologia com os índios Kayapó merecem destaque. Trabalhos sobre etnoictiologia também são comuns (Begossi & Garavello, 1990; Silva, 1988) e um dos mais profundos, que inclui comparações entre conhecimento científico e popular de peixes (morfologia, alimentação, habitat, dentre outros), é o de Marques (1991). Um estudo de etnomedicina (classificação popular de doenças) por Maués (1990) também inaugura uma nova área no Brasil.
Os estudos de etnobiologia em geral incluem levantamentos de espécies e "etnoespécies" e têm contribuído para planos de manejo e conservação de ecossistemas. Os trabalhos de Posey et al. (1984) e de Prance et al. (1987) são exemplos. Para aprofundar este assunto, vale a pena consultar um número especial da revista American Ethnologist (1976) dedicado à etnobiologia (folk biology).
Em populações humanas, o conceito de nicho ecológico tem sido bastante útil, sendo este em geral estimado através de índices de diversidade (Hardesty, 1975, 1977).
Modelos de Subsistência
Esta área passou a ser bem definida nos anos 80 e se refere ao entendimento da relação homem-ambiente a partir do conhecimiento das relações humanas com a exploração de recursos. Os "modelos de subsis,ência" são provenientes da arqueologia e da ecologia evolutiva e utilizados para entender o comportamento humano na procura, obtenção e escolha de recursos para consumo. O objetivo de utilizar estes modelos analíticos é que estes permitem fazer previsões sobre comportamentos em situações específicos. Os dados coletados no campo são então comparados às previsões do modelo e é esta comparação que nos permite aprofundar o conhecimento sobre uma determinada população em dado tempo e lugar.
Quase todos os modelos de subsistência usados na área de ecologia têm alguma base ou influência microeconômica. Os conceitos de ótimo e de utilidade, dentre outros de microeconomia, são empregados em ecologia evolutiva (Rapport & Turner, 1977). De acordo com Real & Caraco (1986), nos últimos 20 anos a aplicação de modelos econômicos em biologia se generalizou e hoje existe um crescente consenso de que teorias ecológicas e econômicas são estreitamente relacionadas.
Os modelos de subsistência referem-se, em particular, à procura e obtenção de alimentos por indivíduos de uma população. Bettinger (1980) apresentou uma revisão detalhada destes modelos, amplamente usados no estudo de populações de caçadores-coletores e horticultores. Desta revisão, vale ressaltar: a) "goal model" - usado para analisar a exploraçao de recursos por grupos onde variáveis como densidade e mobilidade do grupo e peso dos recursos são importantes; b) modelos de decisões -o consumidor escolhe entre um gradiente de certezas/incertezas com graus variados de riscos. O objetivo do consumidor é o de maximizar ganhos e minimizar custos para obter um grau máximo de satisfação. Por exemplo, se os riscos são baixos, o objetivo é o MAXIMAX, ou seja, maximizar o máximo de retornos. Se os riscos são altos, o objetivo é o MAXIMIN, ou maximizar o mínimo de retornos; c) teoria de jogos - os consumidores e a natureza são considerados jogadores. O "objetivo" da natureza é minimizar o máximo de retorno ao consumidor (MINIMAX) e o do consumidor é o de maximizar o mínimo de retorno (MAXIMIN). A teoria de jogos foi aprofundada, em especial, por Maynard Smith (1989); d) programação linear - o objetivo do consumidor é a solução mais econômica (menos custosa). Esta pode ser obter o retorno desejado (minimização) ou obter o máximo dentro das circunstâncias (maximização), que são definidas por variáveis (como calorias, proteínas, prestígio, dentre outras) incluídas em uma matriz. São então apresentadas soluções "ótimas" onde cada recurso tem um valor determinado.
O modelo mais utilizado em ecologia humana é o modelo de forrageamento ótimo, que tem sido amplamente usado para entender o comportamento dos animais. Stephen & Krebs (1986) analisaram 72 trabalhos envolvendo o estudo de forrageamento ótimo em animais, entre 1970-80, e só em 9 estudos foram encontradas inconsistências completas com o modelo. Em ecologia humana, os anos 80 foram os mais produtivos em termos de publicações de forrageamento, ótimo em populações humanas (veja Human Ecology).
Os trabalhos clássicos de Emlen (1966) e de Mac Arthur & Pianka (1966) deram início à teoria de forrageamento ótimo. A premissa básica deste modelo é que a aptidão de um animal depende de sua eficiência ao forragear (procurar e obter alimento). O modelo permite fazer previsões sobre escolha de alimento (dieta ótima), de recursos agregados ou locais para forragear (manchas), de tempo de permanência em manchas e de recursos obtidos levando-se em conta o local de residência ("central place foraging"). Para maiores detalhes sobre o modelo, veja Schoener (1977), Pyke (1984) e Stephen & Krebs (1986). Sobre trabalhos de forrageamento ótimo em ecologia humana, veja Winterhalder & Smith (1981) e Setz (1989). Na maioria dos estudos, o recurso é medido em calorias. O modelo de forrageamento ótimo pode ser usado para entender o comportamento de pescadores, podendo inclusve contribuir para propostas de manejo de estoques pesqueiros. Begossi (1991, 1992a,b) estudou o tempo de viagem e tempo de residência em manchas (locais de pesca ou "pesqueiros") por pescadores da Ilha dos Búzios (SP) e da Baía de Sepetiba (RJ).
A aplicação do modelo de forrageamento ótimo em populações humanas é um ponto polêmico entre ecólogos culturais. Por um lado, Sahlins (1977) questiona a aplicação de "modelos capitalistas" em populações animais e sua subsequente aplicação em populações humanas. Sob outro enfoque, Sih & Milton (1985) questionam medir os recursos em calorias (ou só em calorias) no caso de populações humanas. A inclusão de outras variáveis no modelo é não só viável, mas também recomendável no estudo de populações humanas. Por exemplo, pescadores da Ilha dos Búzios escolhem os peixes baseando-se na quantidade de espinhas e no preço, dentre outras variáveis, e não estritamente em calorias (Begossi, 1989).

Guia para o iniciante em sociologia do meio ambiente: definição, lista de jornais e bibliografia

Samuel A . McReynolds*


O QUE É SOCIOLOGIA DO MEIO AMBIENTE?A Sociologia do meio ambiente é uma área antiga, apesar de nova. Marx e Engels (1961), Weber e Durkheim (1954,1982), todos escreveram sobre o relacionamento entre sociedades humanas e o meio ambiente natural. Contudo, o termo "Sociologia do meio ambiente" não foi utilizado até 1971. Em 1976, A Sociedade Americana de Sociologia designou uma seção para a área. Em 1978, Catton e Dunlop publicaram a primeira tentativa de proporcionar uma definição explícita da área de sociologia do meio ambiente. E, não foi antes de 1990 que a Sociedade Internacional de Sociologia formou o seu primeiro grupo com interesse específico em sociologia do meio ambiente.
Hoje em dia, a sociologia do meio ambiente procura incorporar mais variáveis científicas naturais, perspectivas e até paradigmas em seus métodos, teorias e literatura. O aumento do crescimento e do interesse em perspectivas multi e interdisciplinares também acrescentou em amplitude para o aprofundamento da sociologia do meio ambiente. Esta expansão fez da sociologia ambiental um emaranhado de disciplinas com bases crescentes na biologia, ecologia, ciência política, antropologia, psicologia, feminismo e outras. Apesar da aparência pós-moderna, a sociologia do meio ambiente ainda pretende ser a única linha de pensamento viável capaz de proporcionar uma perspectiva macro ou além (CATTON & DUNLAP, 1978 a; REDCLIFT & WOODGATE, 1997).
A Sociologia do meio ambiente tem sido definida de diversas maneiras. Entre as várias definições, Buttel (1996) proporciona um começo útil. Ele nota que hoje em dia a essência da sociologia do meio ambiente tem sido de recuperar e revelar a materialidade da estrutura e vida social, e o faz de maneira a produzir entendimentos relevantes de modo a resolver problemas ambientais. Esta definição reconhece ao mesmo tempo a centralização da verdadeira natureza física do meio ambiente e o papel representado pelas construções sociais da natureza.
A união da natureza física e das construções sociais da natureza permanece atualmente como a principal preocupação para a sociologia ambiental. Na verdade, a habilidade de unir estes conceitos aparece como o centro da pretensão da área de ser a melhor das áreas da sociologia a se aplicar a um dos maiores problemas mundiais - o declínio do meio ambiente. Com o final da Guerra Fria, as preocupações sobre o aquecimento global e mudanças no meio ambiente mundial tomaram o lugar das preocupações com a guerra nuclear. Sendo assim, a sociologia do meio ambiente tem ocupado o cenário central na relação dos problemas mundiais (VAILLANCOURT, 1995).
Neste contexto, a sociologia do meio ambiente está preocupada com uma vasta gama de questões, campos de estudo e disciplinas. Se por um lado essa amplitude é excitante, é fácil se perder no labirinto do que veio a se tornar a sociologia do meio ambiente. Nas páginas seguintes apresento uma bibliografia de fontes e uma lista de jornais que relevam o conhecimento da área. Nenhum deles pretende ser exaustivo. Ao contrário, eles têm a intenção de proporcionar ao estudante novo e intermediário da área um acesso mais direto à literatura histórica crítica, teórica e metodológica. Com essas bases, espera-se que o leitor fique mais preparado para pesquisar este crescente e importante campo da sociologia.

Ativo e Passivo Ambiental

Por: Werno Herckert
 
Cresce a nível mundial a preocupação com a riqueza das células sociais em relação ao meio ambiente natural. Tanto é que se criou a Contabilidade Ambiental algumas vezes  chamada também Contabilidade dos Recursos ou Contabilidade Econômica e Ambiental Integrada. Isso graças ao apoio   generoso da Fundação C. S. Mott, de Flint, Michigan, Estados Unidos.
 
FUNÇÃO SOCIAL DA EMPRESA E O MEIO AMBIENTE
 
No início do século, Eugen Schmalenbach, expoente da doutrina reditualista na Alemanha, manifestou em sua teoria dinâmica da riqueza a preocupação com o social. Entendeu ele que a formação do rédito não depende só da azienda, mas da influência do ambiente externo onde está inserida.
 
Também Rudolf Dietrich, aziendalista-socialista da Alemanha, defendeu que a azienda deveria estar a serviço da sociedade, produzindo, empregando e fortalecendo o Estado. Mas para que isto ocorresse, dizia que a comunidade também deveria contribuir para com o fortalecimento da azienda.
 
E mais recente  Lopes de Sá, em sua teoria das funções sistemáticas, abriu caminho para uma estrutura de doutrina competente volvida ao ambiental, com a preocupação básica da eficácia do fenômeno patrimonial e a eficácia do fenômeno ambiental natural.
 
Lopes de Sá (1999) escreveu que: tal conciliação das duas eficácias, é uma nova ótica que a doutrina contábil não havia ainda considerado até há pouco tempo, mas, imprescindível para o desenvolvimento de uma contabilidade aplicada ao meio ambiente.
 
Toda célula social tem uma função social e  tem obrigação de não poluir o ambiente natural onde ela está localizada (espacialidade). Poluindo está prejudicando a comunidade e a natureza.         
O patrimônio da célula social influência e é influenciada pelo  meio ambiente  natural.
 
E sobre esta matéria ensinou Lopes de Sá (1999), parece-me axiomático que o entorno ecológico transforma-se com o transformar da riqueza das células sociais e a riqueza das células sociais se transforma com o transformar do entorno ecológico?. Ou seja, portanto:  ?há uma inequívoca interação transformadora entre o ambiente natural e o patrimônio das células sociais. Ou ainda, que o patrimônio, quer o ambiente natural, sujeitam-se às leis supremas da transformação e as de um regime de inteiração.
 
Ainda ensinou  Lopes de Sá (1999), o papel da empresa vai, cada vez mais, transcendendo limites meramente privados e só esse caminho, realmente, no próximo milênio, ensejará maior equilíbrio entre o capital e o humano coletivo.
 
Não se pode anular o empreendimento individual, nem lhe tirar o objetivo do lucro, mas, é preciso que dele se exija o exercício de uma consciência volvida para o ambiente que permite, inclusive, a existência das atividades lucrativas.
 
A empresa deve contribuir, precisa investir em preservações ambientais, mas, também, necessário se faz que os Poderes Públicos incentivam e compreendam esta tendência. Tudo deve convergir para o objetivo maior e que é o da sobrevivência da espécie humana sobre a terra.
 

ORIGEM E APLICAÇÃO DE RECURSOS NO MEIO AMBIENTE
 
Segundo Milton A. Walter (1978), os recursos financeiros necessários à atividade   econômica das empresas são originadas de fontes internas e externas. As fontes externas abrangem todas as obrigações assumidas pela empresa. Denomina-se Passivo Exigível. As fontes internas correspondem ao capital acumulado dos proprietários da empresa. São conhecidos por Capital Próprio ou Patrimônio Líquido.
Os recursos procedentes de fontes internas e externas são aplicados em bens e direitos que compõem o Ativo.
 
A empresa deve gerar recursos para investir na recuperação daquilo que ela utilizou a  natureza.
 
Há empresa que polui e destrói mais a natureza que outras.
 
A que mais polui deve pagar mais a que menos polui deve pagar menos. Isto é óbvio.
Uma fábrica de papel precisa de madeira e deve aplicar recursos em reflorestamento.  Uma indústria de cimento deve ter recursos para investir em chaminés despoluentes. Um posto de gasolina que faz lavagens de carros, troca de óleo etc. deve construir açudes de decantação para evitar a poluição de derivados de petróleo nos riachos, rios etc.  A empresa deve criar contas que geram recursos. Esses recursos devem ser aplicados na recuperação da natureza. Deve-se criar modelo  eficaz de harmonia entre o patrimônio da empresa, o social e a natureza.
 
LUCRO E O MEIO AMBIENTE
 
Objetivo básico da empresa é a geração de lucro. Esse foi o pensamento de algumas   escolas da contabilidade. 
 
Na doutrina Reditualista, Eugen Schmalembach deu prioridade ao rédito mais que ao patrimônio. Entendeu ele que o sucesso ou insucesso da empresa depende dos lucros que ela possa gerar ou não. 
             
Afirmava ele que a conta Lucros e Perdas é que era essencial e que determinava o conteúdo do Balanço. 
 
Fredrich Leitner pregava a maximinização do lucro como objeto de estudos. Também defendia a compra ao mais baixo preço e a venda ao mais alto preço possível.
 
Zappa, do azendalismo, também, atribuiu extrema importância ao rédito. Mas de uma  forma peculiar.
 
Admite que não só o capital é fonte de rédito: sobrepõe-se a ele a inteligência diretiva e o montante de forças, aptas a cumprirem o trabalho por meio do qual a autoridade eminente consegue a materialização dos fins que justificam a própria existência da azienda. (Ver mais detalhes em História Geral e das Doutrinas da Contabilidade do Prof. Lopes de Sá)
              
Segundo Lopes de Sá, o rédito é um fenômeno que provém da ação humana, da natureza, do capital, pois muitos são os fatos endógenos e exógenos que influem sobre o capital é inequívoco, mas para o patrimonialismo ele é um fenômeno do capital.
 
Ainda diz, o fenômeno do rédito acontece quando o capital (aqui entendido como todo o patrimônio da empresa), volvido à obtenção da finalidade lucrativa, varia, por efeito de sua movimentação em decorrência da atividade desenvolvida para a utilização do mesmo?. (1998, p.205)
 
A empresa pode ter lucros e gerar desemprego, poluir o ambiente etc.
 
Segundo Kroetz (2000), podemos ter um balanço patrimonial que apresente elevados resultados, mas que comparado como o balanço social demonstre atitudes negativas por parte da empresa, as quais mascaram o lucro auferido, ou seja, pode uma industria ter lucro contábil, mas a forma de geração do resultado é altamente prejudicial ao meio ambiente.
 
Outra empresa pode ter prejuízo mas ter um excelente desempenho social com o pessoal, investindo em qualidade de vida de seus funcionários, na capacitação funcional, na contribuição de instituições não lucrativas que beneficiam a comunidade, na preservação do meio ambiente natural  etc.
 
É relevante a observação e analise destes fatos.
 
A partir daí questiona-se sobre a conceituação do lucro (resultado ou resultabilidade), pois, passa a ser relativo quando feitas comparações com modelos de gestão.
 
O uso do capital não pode prejudicar a vida das pessoas, dos seres, da natureza, enfim nem no presente nem no futuro.
 
E sobre isto ensina  Lopes de Sá (1999), estamos diante de um processo de degradação dos níveis de vida naturais que podem, em breve tempo, inviabilizar a existência do homem sobre a terra, se prosseguirem as agressões ambientais.
 
Ainda, segundo Boff (1999), cuidado todo especial merece nosso planeta Terra. Temos unicamente ele para viver e morar. É um sistema de sistemas e superorganismo de complexo equilíbrio, urdido ao logo de milhões e milhões de anos. Por causa do assalto predador do processo industrialista dos últimos séculos esses equilíbrios estão prestes a romper-se em cadeia. Desde o começo da industrialização, no século XVIII, a população mundial cresceu 8 vezes, consumindo mais e mais recursos naturais; somente a produção, baseada na exploração da natureza, cresceu mais de cem vezes. O agravamento deste quadro com a mundialização do acelerado processo produtivo faz aumentar a ameaça e, conseqüentemente, a necessidade de um cuidado especial com o futuro da Terra. 
  
O uso inadequado dos recursos naturais vem prejudicando seriamente o equilíbrio da natureza. Há uma séria ameaça de contaminação da água a nível mundial.  Há sérias ameaças de extinção de várias espécies de arvores, de animais, de peixes, de aves,  inclusive do tubarão. Cada empresa tem o dever de procurar modelos de eficácia na aplicação de seus recursos sem prejudicar o meio ambiente. Urgente se faz em reverter este quadro de destruição  pelo uso  inadequado dos recursos naturais. É importante a conscientização a nível mundial, da necessidade urgente do cuidado com o planeta terra. É nossa casa. Esta precisa de uma reorganização.
 
 
 
CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO DO MEIO AMBIENTE NATURAL
 
Cresce a importância das auditorias nas grandes células sociais para avaliar os custos ambientais presentes e futuros. Cresce a importância da Contabilidade  Social e Ambiental. Crescem os investimentos das células sociais na recuperação e preservação ambiental. O Ativo e o  passivo ambiental  não podem ser mais ignorados.
 
Conforme a professora de economia da UFRJ, Dália Maimon (1999), o passivo ambiental é avaliado mediante auditoria especializada nas unidades produtivas da empresa,  identificada as não conformidade com os requisitos legais e com sua política ambiental. Em seguida, faz-se a avaliação da área contaminada para que finalmente as soluções sejam valorizadas monetariamente.
 
Ainda segundo Maimon, as três principais categorias de custos que compõe o passivo ambiental são: (1) Multas, taxas e impostos a serem pagos em face de inobservância de requisitos legais; (2) Custos de implantação de procedimentos e tecnologias que possibilitam o atendimento às não conformidades; (3) Dispêndios necessários à recuperação da área degradada e indenização à população afetada.
 
Segundo  Pedro Pereira Guedes, mestre em Agronegócios: ?Este conjunto de mensurações torna complicada a avaliação da degradação ambiental face a dificuldade de estipular critérios objetivos de análise, como na determinação dos efeitos da poluição atmosférica e hídrica causada pela empresa?.
Para contornar o problema, sugere Guedes, ?a criação de indicadores regionais e setoriais de desempenho ambiental que auxiliam no cálculo do custo ambiental?. 
  
É complexa a criação de critérios de avaliação da poluição ambiental, mas necessária. Cada município deve criar seus critérios de avaliação dos danos à natureza pela empresa.
 
Avaliar a poluição da atmosfera feita por uma empresa é difícil. Como avaliar essa poluição? Qual o critério a ser adotado? E   na poluição hídrica? Na contaminação ambiental por vazamento de energia nuclear? Na contaminação dos rios por venenos aplicados na agricultura? Na contaminação da água potável? Na origem de doenças geradas por poluição ambiental?
 
EXAUSTÃO DE RECURSOS NATURAIS
 
Segundo Gouveia (1976), o método para calcular a exaustão de recursos minerais ou florestais é idêntico ao método de depreciação pela estimativa de produção. Consiste em obter o valor da exaustão por unidade, e multiplica-lo pela quantidade extraída em cada ano, até a exaustão total dos recursos. A vida útil, no caso de recursos minerais e florestais, é determinada pela estimativa de unidades de produção que serão extraídos dessas fontes. Exemplificando, suponhamos uma jazida do minério Z adquirida por $ 100.000,00, sendo estimada sua capacidade em 800.000 toneladas (vida útil). O valor de exaustão de cada tonelada será:
      
    $ 100.000    =  $ 0,125 por tonelada 
              800.000 t
 
Supondo que no primeiro ano sejam extraídas 200.000 toneladas de minério, o valor da exaustão desse ano seria de $ 25.000 (200.000 t x $ 0,125). Sendo extraídas 120.000 toneladas no segundo ano, a exaustão será de $ 15.000. Quando a jazida estiver completamente esgotada, o valor da exaustão total corresponderá ao custo histórico da jazida.
 
A exaustão dos recursos naturais vai prejudicar o meio ambiente como também a empresa que faz uso destes recursos  como matéria prima. Com a escassez  de matéria-prima utilizada pela empresa ela gerará ineficácia por não satisfazer suas necessidades e também, como isto, gerará ineficácia no meio ambiente por exaurir os recursos naturais. Uma empresa de celulose que não gerar recursos para reflorestamento chegará um ponto que não haverá mais arvores para ser utilizada como matéria prima. Uma fábrica de palitos que não repuser as árvores cortadas, terá sua produção seriamente afetada, gerando ineficácia patrimonial  como também ineficácia ambiental. A indústria do pescado deve fazer com que não haja desequilíbrio na reprodução dos peixes, caso contrário, terá ineficácia dos meios patrimoniais. O progresso que todos desejam deve ser feito com uso racional do meio ambiente natural, devolvendo-lhe  aquilo que lhe for tirado. 
 
CONCLUSÃO
 
A contabilidade, segundo Fayol (1970),  o órgão de visão das empresas. Deve revelar, a qualquer momento, a posição e o rumo do negócio. Deve dar informações exatas, claras e precisas sobre a situação econômica da empresa.
 
A  contabilidade não pode ficar fechada à escrituração e mensurações quantitativas do patrimônio  da empresa. Ela deve estar aberta á evolução tecnológica e às mudanças rápidas do mundo moderno.  Estar presente na luta pela preservação ambiental natural, criando modelos contábeis  eficazes e orientados o empresário na aplicação destes modelos para satisfazer as necessidades da riqueza da empresa com eficácia e, também, satisfazer com eficácia  as necessidades do meio ambiente natural.
 
Também, ensina Lopes de Sá (1999), pouco adianta, para fins humanos, que estejamos  apenas demonstrar que se investiu tanto ou quanto na solução de problemas ecológicos ou em interesses sociais, se não conhecemos, pela reflexão, as bases lógicas de uma interação entre a célula e os seus entornos, entre a empresa e o  meio em que vive, entre a instituição e a sociedade.
 
BIBLIOGRAFIA
 
BOFF, Leonardo. Saber cuidar: ética  do humano-compaixão pela terra. Petrópolis : Vozes, 1999
 
FAYOL, Henri. Administração industrial e geral. 8. ed. São Paulo: Atlas, 1970
 
FRANCO, Hilário. Estrutura, Análise e Interpretação de Balanços. 13. ed. São Paulo : Atlas, 1978
 
GOUVEIA, Nelson. Contabilidade. São Paulo: McGraw-Hill do Brasil, 1976
 
HERCKERT, Werno. A contabilidade em face do futuro e o neopatrimonialismo. Disponível em: <www.contato.cnt.br>, Acesso em: 1999
 
HERCKERT, Werno. Movimento ecológico. Revista Nossa Terra. a. I, n. 9, Três de Maio,  novembro de 1996
 
HERCKERT, Werno.  Poluição ambiental. Jornal Espaço Livre. a.  IX,  n. 39, Horizontina, outubro de 1999
 
KROETZ, Cesar Eduardo S. Auditoria do  Balanço Social. Revista Brasileira de Contabilidade, n. 116, mar/abr. 1999
 
KROETZ, Cesar Eduardo S. Contabilidade Social. Revista Contabilidade e Informação. Ijui-RS: Editora/Unijui, n. 01, abr/1998
 
KROETZ, César Eduardo S. Balanço Social: teoria e prática. São Paulo: Atlas, 2000
 
MAGAZINE DEUTSCHLAND. - n.1, fev. 1997, p. 37 - Waste management: more      recycling, less waste
 
MARITAIN, Jacques. A Ordem dos Conceitos. Lógica Menor. 4. ed. Rio de Janeiro: Agir, 1962
 
NEPOMUCENO, Valério. Homo aziendalis: reflexões sobre a teoria das funções. IPAT-Boletim, n. 11, julho 1996
 
NEPOMUCENO, Valério. A autoconsciência contábil. Jornal de Contabilidade, edição da  Apotec, Lisboa, outubro de 1999
 
SÁ, Antônio Lopes de. História geral e das doutrinas da contabilidade. São Paulo: Atlas, 1997
 
SÁ, Antônio Lopes de. Introdução à contabilidade aplicada ao meio ambiente natural. Disponível em: <www.lopesdesa.com.br>, Acesso em:  1999
 
SÁ, Antônio Lopes de. Considerações gerais sobre a contabilidade aplicada ao meio ambiente natural. Disponível em: <www.lopesdesa.com.br>, Acesso em:  1999
 
SÁ, Antônio Lopes de. Neopatrimonialismo como pensamento moderno em contabilidade. Disponível em: <www.lopesdesa.com.br>, Acesso em:  1999
 
SÁ, Antônio Lopes de. Contabilidade e balanço social. Disponível em: <www.lopesdesa.com.br>, Acesso em: 1999
 
SÁ, Antônio Lopes de. Economicidade e balanço social. Disponível em: <www.lopesdesa.com.br>, Acesso em: 1999
 
SÁ, Antônio Lopes de. Tendências e futuro da contabilidade. Revista do CRCRS. v. 27, n. 94, out. 1998
 
SÁ, Antônio Lopes de. Aspectos doutrinários da contabilidade aplicada ao meio ambiente natural. Disponível em: <www.lopesdesa.com.br>, Acesso em:  1999
 
SÁ, Antônio Lopes de. Recursos naturais e a empresa.  Jornal de Contabilidade, edição da  Apotec, Lisboa, janeiro de 1999
 
SÁ, Antônio Lopes de. Nova visão da contabilidade. Disponível em: <www.lopesdesa.com.br> , Acesso em: 1999
 
SÁ, Antônio Lopes de. Teoria da contabilidade. São Paulo: Atlas, 1998
 
SÁ, Antônio Lopes de. Teoria geral do conhecimento contábil. Belo Horizonte: IPAT/UNA, 1992
 
VIANA, Cibilis da Rocha. Teoria geral da contabilidade. 5. ed., Porto Alegre: Sulina, 1972
 
WALTER, Milton Augusto. Introdução a analise de balanço. São Paulo: Saraiva, 1978
 
Jornal do Comércio. Ed. 67, Ano 67, p. 15, Porto Alegre, 1999.
 
Werno Herckert
Contador
Membro da Academia Brasileira de Ciências Contábeis
Membro da Associação Científica Internacional Neopatrimonialista
Membro da Corrente Científica Brasileira do Neopatrimonialismo

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Convenção global sobre informações ambientais deve ser discutida na Rio+20

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O Brasil considera a possibilidade de incluir na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) uma convenção internacional sobre a transparência das informações ambientais. A informação foi divulgada recentemente por Gilberto Câmara, diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Segundo informou a Agência Fapesp, o Brasil pretende apresentar na cúpula marcada para junho de 2012 sua experiência e propor que os países assumam a divulgação aberta de dados que dizem respeito ao ambiente no mundo.

De acordo com Câmara, um projeto proposto pelo Inpe e o JPL (Jet Propulsion Laboratory, da Nasa), ainda em análise, permitiria uma evolução no monitoramento ambiental por meio do satélite GTEO (Global Terriesrial Ecosystem Observatory), construído com investimentos de US$ 100 milhões do Brasil e US$ 150 milhões dos Estados Unidos. O Brasil seria responsável pela criação do corpo do satélite, painel solar, computador de bordo para coleta e envio de dados.

O monitoramento ambiental feito atualmente no Brasil utiliza câmeras a bordo de satélites que coletam fotos em faixas discretas do espectro. A nova tecnologia torna possível distinguir diferentes espécies.

Para Robert Green, do JPL, o projeto permitirá pela primeira vez coletar informações sobre quais as espécies de plantas existentes, onde elas vivem e quais são suas condições de saúde. “Este será a primeira medição global dos ecossistemas com coleta do espectro de cada ponto do planeta”, destacou.

EcoD Básico: Urbanismo sustentável



Dentro do conceito tradicional de urbanismo existe uma vertente que busca utilizar técnicas e princípios para planejar e regular a construção e o desenvolvimento de cidades mais sustentáveis.

O conceito, inicialmente chamado de Novo Urbanismo, surgiu na década de 1980 nos Estados Unidos. O objetivo era resgatar a qualidade de vida e melhorar o relacionamento entre o homem e a cidade, promovendo o desenvolvimento sustentável em longo prazo e o crescimento ordenado que minimizasse os impactos sociais, ambientais e econômicos das ações urbanas.

Segundo engenheiro civil Dilnei Bittencourt, a proposta era criar um contraponto ao crescimento das cidades modernas, que dão preferência ao automóvel e valorizam a separação das funções fazendo com que cidadãos precisem usar o carro para conseguir saúde, lazer, moradia e trabalho.

Nove conceitos principais regem o urbanismo sustentável. São eles:

Prioridade ao pedestre
Busca criar rua limpas, seguras, arborizadas, com pouco ruído, calçadas amplas e dotadas de mobiliário urbano confortável, iluminação adequada, sinalização e total acessibilidade. Com isso, o conceito pretende estimular a locomoção a pé como uma experiência sensorial atraente, reduzindo o uso do automóvel, da poluição, evitando o sedentarismo e os ambientes fechados, e fazendo com que as pessoas percam o receio e saiam às ruas.

Uso misto e complementariedade
Segundo esse conceito, quanto mais variada e concentrada for a diversidade de usos e de pessoas, mais vivo e interessante é um lugar. Por isso, busca fazer o uso combinado e mútuo das diversas funções da cidade, como moradia, comércio, escritórios, lazer e educação, no mesmo espaço. Assim, quadras e prédios são agrupados de forma a se complementarem e atraírem os moradores a caminharem pelas ruas, evitando longos deslocamentos, reduzindo engarrafamentos, poluição, estresse, e aumentando a qualidade de vida dos habitantes.

Diversidade de moradores
Uma cidade sustentável deve promover o convívio de pessoas de diferentes classes sociais, idades, culturas e raças. Com isso, promover uma variedade de ideias, necessidades e interesses, além de ampliar as alternativas de relacionamentos e viabilizar inúmeros e variados aspectos da vida urbana com elevada qualidade social. A diversidade também torna o lugar mais solidário, justo e inteligente.

Senso de comunidade
O objetivo aqui é elevar a satisfação de se sentir integrado a um lugar único, reconhecido dentro da cidade e que reconhece os seus moradores. Esse conceito busca reforçar a identidade local e a sensação de pertencimento, elevando a segurança e o bem estar dos moradores.

Densidade equilibrada
O cuidado com a densidade e a concentração de pessoas na cidade são importantes para a preservação ambiental, já que proporcionam um melhor desempenho energético, reduzem a emissão de gases nocivos, otimizam o transporte público e as redes de água, energia e telefone, além de reduzir o uso de terrenos com edificações. Segundo esse conceito, a densidade ideal seria entre 400 a 800 habitantes por hectare.

Sustentabilidade e alta performance do ambiente construído
O modelo de urbanismo sustentável preza pela construção de edificações projetadas e erguidas com o emprego de materiais e técnicas que reduzem o impacto ambiental, o consumo de energia e a geração de gases do efeito estufa. Além disso, as construções devem ter ambientes internos de alta qualidade, com vida longa, aptos a diversos usos e reusos. Os projetistas também devem incentivar o uso intenso de iluminação e ventilação naturais, aquecimento solar, água de chuva, respeito à paisagem natural, às águas superficiais e subterrâneas e à vida silvestre.

Espaços públicos atraentes e seguros
Para garantir o vigor dos espaços públicos é preciso proporcionar aos moradores ambientes seguros e atraentes. Por isso, a combinação de cafés, praças, lojas, parques, restaurantes, calçadas amplas e arborizadas e jardins é essencial – tudo isso combinado com segurança pública eficiente que atraia as pessoas para a rua.

Harmonia entre natureza e amenidades urbanas
Luz natural, ar fresco e limpo circulando livremente por prédios convenientemente dispostos entre ruas, parques, jardins e praças. Prédios que buscam a melhor orientação solar e dos ventos dominantes. Equilíbrio entre áreas verdes e áreas construídas. Riqueza de parques com plantas nativas. Sombreamento com árvores ao longo das calçadas proporcionando conforto e contemplação. Proximidade entre a vida silvestre e a vida urbana. Tudo isso deve ser estimulado para melhorar a qualidade de vida dos moradores, atrair a biodiversidade e evitar as ilhas de calor.

Conectividade e integração regional
Para ser sustentável, uma cidade precisa ter conectividade e integração, ou seja, os bairros devem ser ligados por uma teia de rodovias que possibilite múltiplas alternativas de ir e vir, de preferência, utilizando um transporte coletivo inteligente e integrado a região metropolitana e com estímulo ao uso da bicicleta. Com isso, a cidade se torna um compilado de múltiplos centros, cada um com suas vocações, que se complementam.

Seguindo esses princípios é possível construir ou expandir as cidades de forma mais humana, eficiente e sustentável. Diversas cidades do mundo já estão adotando alguns ou todos esses conceitos para promover o desenvolvimento ao mesmo tempo em que reduzem seus impactos sociais, econômicos e ambientais.

Glossário Ambiental

"Arco de Fogo"
Faixa que se estende por todo o limite sul e leste do bioma amazônico, onde a floresta faz transição para o cerrado. Essa paisagem natural é muito afetada durante o período de queimadas. Já contando com isso, os órgãos ambientais fazem planos para tentar minimizar o dano à floresta.

Área de Preservação Permanente (APP)
Área protegida definida nos termos dos Artigos 2º e 3º do Código Florestal (Lei Federal 4.771, de 15 de Setembro de1965), coberta ou não por vegetação nativa, com a função ambiental de: preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o fluxo gênico de fauna e flora; proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações humanas.

Aborígine
Pessoa, animal ou planta que é originário do país ou região em que vive ou se encontra.

Adaptação climática
É definida pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas como “ajustes em práticas, processos e estruturas que podem reduzir ou eliminar o potencial de destruição ou o aproveitamento de vantagens e oportunidades criadas por mudanças no clima”.

Adubação verde
A adubação verde é uma técnica da agricultura orgânica usada para 'limpar' o solo quando ele está intoxicado com herbicidas e produtos químicos. Deve-se cultivar uma determinada planta no local para quando ela estiver crescida, antes da época de floração, ser cortada e incorporada ao solo ainda verde. Essa técnica visa enriquecer o solo com nutrientes, principalmente o nitrogênio, e os tipos principais de plantas mais usadas são leguminosas e gramíneas (ervas nativas).

Agenda 21
Documento consolidado como diretriz para a mudança de rumos no desenvolvimento global para o século 21. Foi formulado como um grande plano de ação, por esforço de múltiplos atores, e divulgada para adesão durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro, em 1992, conhecida como ECO-92. Contém diretrizes para a promoção do desenvolvimento sustentável, passíveis de serem implementadas por qualquer órgão, organização ou governo engajados no movimento da sustentabilidade. A Agenda 21 pode servir bara embasar um processo de planejamento participativo em prol de um futuro sustentável. Esse planejamento deve envolver todos os atores relevantes e ensejar a formação de parcerias e compromissos para a solução de problemas relacionados ao desenvolvimento econômico e social e à proteção ambiental, em curto, médio e longo prazos. A análise e o encaminhamento de projetos ou programas embasados na metodologia da Agenda 21 devem ser feitos dentro de uma abordagem integrada e sistêmica das dimensões econômica, social, ambiental e político-institucional.

Agricultura Orgânica (ou Biológica)
A agricultura orgânica preocupa-se com a saúde dos seres humanos, dos animais e das plantas. Por isso, não utiliza fertilizantes sintéticos, nem agrotóxicos ou aditivos químicos no cuidado com a plantação ou na ração dos animais.

Na produção dos alimentos é valorizado o cuidado com os bens naturais, renováveis ou não - preservando o meio ambiente e dando importância ao desenvolvimento sustentável e à qualidade de vida humana.

Agrofloresta ou Agrossilvicultura
"Entende-se por agrossilvicultura o conjunto de técnicas de uso da terra que implique na combinação de árvores florestais com cultivos, com pecuária, ou com ambos. A combinação pode ser simultânea ou sequencial em termos de tempo e espaço. tem por objetivo otimizar a produção total por unidade de superfície, representando os princípios de rendimento sustentado".

Alimentos orgânicos
São aqueles produzidos de acordo com certos padrões pré-definidos por organizações certificadoras ou ainda, estipulados por leis. Em geral, são alimentos cultivados sem o uso de pesticidas convencionais, fertilizantes artificiais ou dejetos humanos, além de serem processados sem radiação ionizadora ou aditivos. Sua produção também incentiva a conservação do solo e da água e reduz a poluição. Para animais, alimentos orgânicos são aqueles criados sem o uso rotineiro de antibióticos e sem utilização de hormônios de crescimento. Na maioria dos países, alimentos orgânicos não podem ser geneticamente modificados. Alimentos orgânicos certificados devem passar por uma cuidadosa inspeção de produção.

Analfabetismo
De acordo com a Pesquisa Nacional de Amostra Domiciliar (PNAD) e com o Censo Demográfico decenal, são consideradas analfabetas as pessoas incapazes de ler e escrever pelo menos um bilhete simples no idioma que conhecem; aquelas que aprenderam a ler e escrever, mas esqueceram; as que apenas assinam o próprio nome; e aquelas que se declaram "sem instrução" ou que declaram possuir menos de 1 ano de instrução.

Analfabetismo funcional
De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), analfabeto funcional é a pessoa que sabe escrever o próprio nome, é capaz de ler frases simples e fazer cálculos básicos, mas é incapaz de interpretar o que lê e de utilizar a leitura nas atividades cotidianas, prejudicando seu desenvolvimento pessoal e profissional.

No Brasil, o índice de analfabetismo funcional é medido entre as pessoas com mais de 20 anos que não completaram quatro anos de estudo formal.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

SEGUNDA FASE DA ACÇÃO DE LIMPEZA DA PRAIA DAS MIRAGENS










INFORME SÍNTESE SOBRE A ACÇÃO DE LIMPEZA DA PRAIA DAS MIRAGENS, SOB O LEMA: LIMPAR O QUE AMAMOS.



















Certo que, desde o tempo da institucionalização da ADA, já se fazia sentir a sua ausência como uma força que emergiu para a defesa do ambiente. 

Cientes das nossas responsabilidades e reconhecendo haver a necessidade de realizar acções praticas e com grande impacto social e ambiental. Após um período de divulgação e mobilização dos munícipes a participarem desta acção, conseguimos congregar até as 07h30 um total de aproximadamente 700 (Setecentas) pessoais, entre elas: Membro da A.D.A., Membros das Associações Juvenis (JEA, AJOBV, Espírito Santos), público interessado, com maior destaque aos estudantes das Escolas do I ciclo na nossa cidade, respectivamente. 

Importa realçar, que o êxito desta actividade só foi possível com a colaboração, da Direcção Provincial do Urbanismo Construção e Ambiente, da Escola Superior Politécnica do Namibe, da Emissora Provincial do Namibe, da Direcção Provincial da Educação, Ciências e Tecnologia e da Administração Municipal do Namibe, que logo, na primeira instância louvaram a iniciativa da ADA, colocando a nossa disposição, meios humanos e rolantes para o transporte dos resíduos recolhidos na praia, estimados num total de 12 (doze) toneladas, caracterizado por latas, garrafas de bebidas, lixo orgânico, sacos plásticos, papel, etc. 

Importa aqui relatar o grau de entrega dos participantes fizerem jus ao lema: LIMPAR O QUE AMAMOS, destacando a figura do Cda 2º Secretário Provincial do MPLA, Carlos da Rocha Cruz que abrilhantou a actividade com a sua entrega na recolha e transporte dos resíduos. 

Quem também abraçou a iniciativa da Associação dos Defensores do Ambiente foi a Direcção Provincial dos Registos, que oportunamente aproveitou para apelar aos participantes da acção de limpeza para promoverem a actualização, reconfirmação do seu registo e escolha do local do voto. 

CONCLUSÕES 

Após a conclusão dos trabalhos, a A.D.A. considera de positiva a actividade, reconhecendo que numa primeira fase estávamos a contar com um número de 50 participantes, pelo que, fomos surpreendidos com total de aproximadamente 700 participantes, representando 1400% acima da previsão. É um número que nos satisfaz e deixa-nos comovidos e motivados a prosseguir nas nossas acções e afirmar-nos como uma força realmente defensora do ambiente. 

Por tudo acima exposto, aproveitamos o ensejo para apelar a sociedade e as instituições que, cuidar das praias é uma tarefa que deve ser levada a cabo por todos. 

A ADA reconhece que ficará sem efeito a grande iniciativa de limpeza da praia das miragens se não tiver locais para o depósito do lixo. Por este facto, achamos conveniente que a Administração Municipal deveria colocar contentores para a deposição dos resíduos. 

Reconhecemos a necessidade de uma maior intervenção na praia das miragens e não só, notamos que a maior parte do lixo que restou por ser recolhido é composto predominante por cacos de garrafas não retornáveis de cervejas e refrigerantes que são consumidas pelos munícipes que afluem o referido local. 

A ADA reconhece o esforço da Administração Municipal na melhoria do aspecto paisagístico das nossas praias, mas importa aqui realçar, que o mesmo será em vão se for feito de forma isolada. Portanto, há necessidade de um maior empenho e envolvimento de todos sectores e actores da vida social da cidade, para a redução do lixo nas nossas praias. Por este motivo a ADA propõe, a realização da 2ª Fase da Acção de Limpeza da Praia das Miragens sob o Lema: LIMPAR O QUE AMAMOS sob Coordenação do Governo das Província do Namibe. A ADA ainda é de opinião que se proibissem a venda de bebidas em garrafas não retornáveis na praias das miragens e, que os valores monetários arrecadados pela Administração Municipal da prestação feita as vendedoras deveriam ser aplicado para a criação de equipas e/ou brigadas ambientais para a sensibilização regular aos utilizadores das praias e a reparação dos danos ambientais que advém da exploração deste local.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

ACÇÃO DE LIMPEZA DA PRAIA DAS MIRAGENS, SOB O LEMA: LIMPAR O QUE AMAMOS


O Panorama que nos apresenta alguns locais turísticos e de interesses da nossa província tem originado alguma preocupação por parte da sociedade, produzindo uma consciência acerca das implicações ambientais, sociais e económicas da degradação destes locais que a Natureza dedicou-se em criar. 

Entretanto, cabe a Associação dos Defensores do Ambiente, em primeiro lugar, ajudar o Governo na materialização das políticas ambientais, objectivadas não só na renovação ou utilização correctamente os recursos naturais disponíveis, mas também garantir o cultivo de uma consciência global, de que os problemas ambientais devem ser encarados por todos. 

Nestes termos, o lema LIMPAR O QUE AMAMOS proposto para esta acção de Limpeza, surge de forma oportuna numa altura em que se aproxima a época balnear e, a degradação paisagística da praia das miragens é evidente. E, tendo em consideração, a dimensão lúdica proporcionada pelas insólitas paisagens deste local, urge a necessidade de uma intervenção para a melhoria do aspecto do local, proporcionar boas condições de lazer e respeitar o princípio da sustentabilidade. 

É assim, que a ADA, preocupada com esta situação e no intuito de fortalecer a sua estrutura como defensora do ambiente, realizará no dia 01 de Outubro de 2011 uma acção de limpeza na praia das miragens sob o lema: LIMPAR O QUE AMAMOS, com os seguintes objectivos: 

a. Ter a praia limpa no inicio da época balnear; 

b. Sensibilizar a sociedade da necessidade de preservar as nossas praias limpas; 

c. Despertar as Estruturas Institucionais sobre as questões relativas ao meio ambiente, sobre a necessidade do fortalecimento dos seus serviços para acudir a recolha de resíduos sólidos nas nossas praias, de modo, a garantir uma convivência harmoniosa; 

d. Permitir uma maior aproximação e afirmação da ADA na sociedade como uma força defensora do ambiente. 

Responsável: Conselho de Direcção da ADA 

Participantes: Pretende-se mobilizar 50 participantes para esta actividade, sendo: 

· Membros da A.D.A. 

· Associações Juvenis 

· Estudantes e publico interessado

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Super areia deixa água cinco vezes mais pura


Cientistas desenvolveram uma técnica para transformar a areia comum - o material filtrante mais usado em todo o mundo para purificar a água potável - em uma "super areia".

A super areia tem uma capacidade de filtragem cinco vezes superior à da areia regular.

Nanomaterial

Mainak Majumder e seus colegas da Universidade Rice, nos Estados Unidos, lembram que a areia tem sido usada para purificar a água há mais de 6.000 anos - a areia ou cascalho de filtração de água é endossada pela Organização Mundial de Saúde.

A transformação da areia em super areia começou com um nanomaterial chamado óxido de grafite.

Os pesquisadores usaram um método simples para recobrir os grãos de areia com as nanopartículas de óxido de grafite.

O novo material filtrante conseguiu remover inclusive o metal pesado mercúrio, além das moléculas de corantes diluídas na água.

Filtro de metais pesados

No teste com o mercúrio, a areia comum ficou saturada em 10 minutos de filtração, enquanto a super areia absorveu o metal pesado por mais de 50 minutos.

Segundo os cientistas, "o desempenho da filtragem é comparável a alguns filtros de carbono ativado disponíveis comercialmente." - com a vantagem de que a super areia deverá ser um material muito mais barato.

"Estamos agora pesquisando estratégias que nos permitirão montar as partículas funcionalizadas de óxido de grafite sobre os grãos de areia de forma a aumentar ainda mais a eficiência de remoção de contaminantes," escrevem eles.

A mesma equipe já havia desenvolvido um nanofiltro usando nanotubos de carbono,capaz de remover vírus e bactérias da água. A dificuldade de processamentos dos nanotubos de carbono, contudo, tornam aquele nanofiltro menos custo-efetivo

Metade do calor da Terra vem do decaimento radioativo


Geoneutrinos

Cerca de 50% do calor liberado pela Terra é gerado pelo decaimento radioativo de elementos como o urânio e o tório.Esta é a conclusão de uma equipe internacional de cientistas que usou o detector KamLand, no Japão, para medir o fluxo de antineutrino emanados do interior da Terra.A cadeia de decaimento dos elementos radioativos libera também antineutrinos do elétron, que atravessam facilmente a Terra, podendo ser detectados próximo à superfície.Em 2005, cientistas do KamLand anunciaram a detecção de 22 desses geoneutrinos. Ano passado, um grupo do experimento Borexino, na Itália, detectou 10 deles. Agora, a equipe do KamLand contou 111 dessas minúsculas partículas sem massa.Calor da TerraOs resultados combinados permitiram que o grupo calculasse que o fluxo de calor emanado do centro da Terra, fruto do decaimento radioativo, é de 20 TeraWatts (TW), com uma incerteza de 8 TW."Uma coisa que podemos dizer quase com certeza é que o decaimento radioativo sozinho não é suficiente para explicar todo o calor da Terra," explica Stuart Freedman, colaborador do KamLand. "Se o resto é calor primordial ou se vem de outra fonte é uma questão ainda sem resposta."Os geofísicos calculam que o calor flui do interior da Terra para o espaço a uma taxa de 44 x 1012 Watts (TW). Mas ainda não estava claro quanto desse calor é fruto do decaimento radioativo e quanto dele é um resquício do calor primordial, gerado na formação do planeta.Os novos resultados indicam que 20 TW são gerados pelo decaimento radioativo - 8 TW da cadeia de decaimento do urânio-238; 8 TW do tório-232 e 4 TW do potássio-40.

Detector de antineutrinos

O detector KamLand (Kamioka Liquid Scintillator Antineutrino Detector) é uma gigantesca esfera contendo 1.000 toneladas de óleo mineral, localizado nas profundezas de uma mina subterrânea no Japão, para que a camada de rochas o proteja dos raios cósmicos.

O material do interior do balão é monitorado constantemente por 1.800 tubos fotomultiplicadores.

Quanto um antineutrino atinge um próton no óleo gera-se um nêutron e um pósitron (um anti-elétron). O pósitron move-se uma pequena distância dentro do óleo, ionizando suas moléculas, o que causa a liberação de um flash de luz.

O pósitron então se choca com um elétron, aniquilando ambos com a emissão de dois fótons de raios gama.

O papel dos tubos fotomultiplicadores é detectar essas emissões de luz. A energia do antineutrino pode ser calculada a partir da intensidade do brilho liberado no processo.

Alguns milissegundos depois, o nêutron gerado na chegada do antineutrino é capturado por um próton, formando um deutério, o que também causa a emissão de um raio gama, igualmente detectado pelos fotomultiplicadores.

Identificando os dois sinais coletados pelos fotomultiplicadores, os cientistas observam suas separações no tempo, para identificar o que foi originado pelos extremamente raros antineutrinos e o que é resultado da "radiação de fundo".

Biocombustíveis podem ser solução para poluição dos aviões

Poluição dos aviões

A aviação é responsável pela emissão de 2% de gás carbônico e de 3% de todos os tipos de gases de efeito estufa (GEEs) e poderá triplicar esses números até 2050 se nenhuma ação for tomada.

O alerta foi dado por Guilherme Freire, diretor de estratégias em meio ambiente e tecnologias da Embraer, em apresentação na primeira BBEST - Conferência Brasileira de Ciência e Tecnologia em Bioenergia (Brazilian Bioenergy Science and Technology Conference), que ocorre até o dia 18 de agosto em Campos do Jordão, interior de São Paulo.

Segundo o executivo, a aviação emitiu 628 milhões de toneladas de gás carbônico em 2010, e as projeções indicam que as emissões chegarão à casa do 1,2 bilhão ou 1,4 bilhão de tonelada em 2030, dependendo do cenário de crise ou crescimento econômico.

A expansão está relacionada especialmente ao desenvolvimento do setor nos países em desenvolvimento.

"Apesar da elevação das emissões, a aviação evoluiu tecnologicamente para reduzi-las, especialmente no que se refere ao aumento da eficiência dos combustíveis. Se o desenvolvimento tecnológico tivesse estacionado ao obtido nos anos 1990, o setor estaria emitindo 1 bilhão de toneladas de gás carbônico hoje. A meta global do setor é reduzir em 50% as emissões em 2050, comparado com os números de 2005", disse.

Biocombustíveis para aviões

Freire explicou que o uso de biocombustível não pode requerer mudanças drásticas nos aviões ou nos motores existentes, por questão de custo. "Qualquer alteração substancial na configuração de um avião ou em seu motor gera impactos, principalmente na questão da segurança, o que eleva o preço do avião e pode tornar inviável o uso de biocombustível", destacou.

Também para não ampliar os custos, é preciso obter biocombustíveis que possam ser misturados ao já utilizado e que não precisem de infraestrutura específica e diferenciada para serem utilizados.

Do ponto de vista técnico, um dos maiores desafios é manter a estabilidade térmica e a boa fluidez nas altas altitudes. Do contrário, pode haver congelamento do combustível nos tanques.

"Ou seja, bioetanol e biodiesel para automóveis não são compatíveis com as demandas requeridas pelo biocombustível para aviação. É preciso harmonizar, em nível global, os critérios de sustentabilidade", disse Freire.

Competição pela biomassa

Ele também afirmou que a diversificação de matérias-primas para biocombustíveis é uma preocupação. "Não só a aviação precisa ser sustentável, mas outros segmentos da indústria também. A competição pela biomassa entre indústrias é uma questão-chave", apontou.

Entre as aplicações industriais que levam à competição pelo uso da biomassa, Freire identificou o combustível para automóveis, para aviação, para veículos pesados, como caminhões, e para produção de lubrificantes, produtos da química fina e polímeros.

Freire também falou sobre alguns testes já feitos por companhias aéreas com o uso de biocombustíveis, como o da Continental Airlines, em 2009, que usou alga e jatropha (planta da família Euphorbiaceae) como matéria-prima e uma mistura de 50% desse biocombustível em um dos motores.

Outro exemplo é o da TAM, que em novembro de 2010 usou jatropha e também 50% de mistura em um motor. Um dos últimos testes em voo foi feito em 1º de abril deste ano, pela Interjet, com uma mistura de 27% de biocombustível produzido a partir da jatropha em um motor.

Primeiro biocombustível para aviação

O executivo da Embraer citou a ASTM 4054 (Standard Practice for Qualification and Approval of New Aviation Turbine Fuels and Fuel Additives), iniciativa internacional para certificação do primeiro biocombustível para aviação comercial e que envolve empresas como Boeing, Airbus, Honeywell, Rolls Royce, GE e outras.

Em julho de 2011, a ASTM certificou o primeiro processo para produção de biocombustível, chamado de HEFA (Hydroprocessed Esters and Fatty Acids) - ésteres hidroprocessados e ácidos graxos).

No Brasil, Embraer, Amyris, GE e a empresa aérea Azul participam de um consórcio que está desenvolvendo o processo DSHC (Direct Sugar to Hidrocarbon Process), um dos que devem ser certificados pela ASTM até 2015.

Junto com as empresas Amyris e Virent, o processo usa reações catalíticas e fermentação bioquímica feita por organismos geneticamente modificados para produzir as moléculas de hidrocarbonetos para o biocombustível. O produto será testado pela Azul no ano que vem.

Bill Gates quer reinventar o vaso sanitário

Banheiro sem água e sem esgoto

A Fundação Bill & Melinda Gates anunciou que irá custear uma pesquisa para "reinventar a privada".

O objetivo do projeto é desenvolver novas tecnologias para o processamento de dejetos humanos sem qualquer ligação a linhas de água, energia ou esgoto.

Para Gates, a privada ideal para os países em desenvolvimento deve ser auto-sustentável, de custo acessível e sem ligações a linhas de energia, água ou esgoto, que quase nunca estão disponíveis nas condições em que o novo sanitário deverá ser utilizado.

Plasma de micro-ondas

A tarefa de reinventar o vaso sanitário caberá a um grupo de cientistas e engenheiros da Universidade de Tecnologia de Delft, na Holanda, sob a coordenação do professor Georgios Stefanidis.

"Vamos aplicar a tecnologia de micro-ondas para transformar os dejetos humanos em eletricidade. A partir desta inovação, pretendemos idealizar o design e construir um protótipo modular para um banheiro completo que satisfaça as urgentes necessidades do mundo em desenvolvimento," afirmou Stefanidis.

Inicialmente os dejetos humanos serão secos. Em seguida, os resíduos sólidos serão gaseificados utilizando plasma, criado por micro-ondas em um reator apropriado.

Este processo vai gerar o chamado gás de síntese, uma mistura de monóxido de carbono (CO) e hidrogênio (H2). O gás de síntese será então usado para alimentar um conjunto de células de combustível de óxidos sólidos (SOFC: solid oxide fuel cell) para a geração de eletricidade.

"Para que o processo seja energeticamente auto-suficiente, parte da eletricidade produzida será usada para ativar a gaseificação a plasma, enquanto o calor recuperado do fluxo de gás de síntese e dos gases de escape das células de combustível será usado para a secagem dos resíduos," explica o pesquisador.

Privada barata

Aproximadamente 2,6 bilhões de pessoas em todo o mundo não têm acesso ao saneamento básico. O impacto negativo dessa situação sobre a saúde dessas populações é enorme.

Para mudar esta situação, Bill Gates e sua esposa acreditam que a solução é reinventar o vaso sanitário.

E, como o projeto é voltado para atender às necessidades dos países em desenvolvimento, uma das exigências é que o banheiro sem água e sem esgoto possa ser construído a custos acessívei

Esfera invisível manipula luz e expande o espaço


Esfera da invisibilidade

O húngaro Janos Perczel, trabalhando na Universidade de St.Andrews, no Reino Unido, superou um dos maiores desafios para a fabricação de um manto da invisibilidade mais prático do que os feitos até agora.

Perczel otimizou o enfoque tradicional baseado emmetamateriais adicionando um dispositivo óptico que não apenas se mantém também invisível, como tem a capacidade para diminuir a velocidade da luz.

Esse dispositivo óptico, que Perczel chamou de "esfera invisível", diminui a velocidade de toda a luz que se aproxima do objeto a ser camuflado.

Isto significa que não é mais necessário acelerar os raios de luz ao redor dos objetos a serem camuflados, uma exigência que vem limitando os mantos da invisibilidade a trabalharem com apenas uma faixa do espectro visível.

Camuflagem de objetos em movimento

O esquema da esfera invisível abre a possibilidade de que mantos da invisibilidadecamuflem objetos que estejam se movendo, tendo atrás de si um plano de fundo em constante mutação.

Até agora, as camuflagens alteram a velocidade da luz para que ela se "curve", contornando o objeto que deve ficar escondido - de forma parecida com a água de um riacho contornando uma pedra.

Passado o "obstáculo", a luz retoma sua rota original, fazendo parecer a um observador que o objeto não está lá.

Como as condições para aceleração da luz são muito restritas, isso limita a funcionalidade das camuflagens, que só funcionam para um faixa de comprimentos de onda - para uma determinada cor.

Ou seja, o truque vai funcionar se o espião que quer se camuflar aceitar ficar totalmente imóvel. Tão logo ele se mova, a cena fica distorcida, revelando ao observador que algo está escondido ali.

Expansão do espaço

Invertendo a abordagem - usando a esfera invisível para desacelerar a luz - torna-se possível construir mantos da invisibilidade que funcionem para todas as cores, o que permitirá que o espião caminhe à vontade, sem se denunciar.

A "esfera invisível" não é um objeto físico, mas um mecanismo que expande um único ponto de um espaço virtual, fazendo com que esse ponto "inche" e estenda-se por uma região do espaço físico - formando uma esfera - e cobrindo o que estiver nesse espaço físico.

Um raio de luz que seja cuidadosamente guiado ao redor dessa região invisível - usando o método tradicional dos metamateriais - parece ter passado pelo espaço vazio, tornando invisível a região "coberta" pela esfera.


De forma notável, Janos Perczel é um estudante de graduação, trabalhando no laboratório do renomado professor Ulf Leonhardt, que criou o microscópio óptico 3De demonstrou a possibilidade da levitação quântica em nanoescala. Foi também ele que descobriu a possibilidade de fabricação de uma lente perfeita, idealizada em 1850.

Elaboração do projecto de Gestão de Cheias do rio Zambeze vai custa 500 mil dólares

O projecto de gestão de cheias e a estratégia de alerta rápido na bacia do rio Zambeze, que abrange oito países da SADC, vai custar 500 mil dólares norte-americanos, anunciou esta terça-feira, em Luanda, o representante da USAID, Curtis Barrett.

Curtis Barratt revelou o facto quando na manhã de terça-feira participava na sessão oficial de abertura da consulta nacional sobre o projecto, por parte de Angola, presidida pelo director nacional dos recursos hídricos, Manuel Quintino, em representação da ministra Emanuela Vieira Lopes.

Disse a propósito que a USAI vai assumir o financiamento desta fase de elaboração do projecto até à adopção do relatório final. O projecto da bacia hidrográfica do rio Zanbaze abrange as repúblicas de Moçambique, Malawi, Botswana, Tanzânia, Zâmbia, Zimbabwe e Namíbia.

Com uma precipitação médio anual de 1.400 mililitros de água, a bacia do Zambeze, segundo especialistas abordados pela Angop, permite o desenvolvimento da agricultura, pelo menos do lado angolano, durante todo ano, sem necessidade de irrigação na época de cacimbo.

Essas características, segundo a fonte da Angop, fazem dessa bacia um forte contribuinte nos esforços dos países abrangidos pelo alcance de uma segurança alimentar, além de propiciar bens e serviços ambientais muito ricos e diversificados.

Já ocorreram consultas semelhantes em Moçambique, Zâmbia, Malawi e Zimbabwe:

Em Angola, a consulta nacional vai decorrer durante três dias.