Após uma longa caminhada pelo deserto do Namibe, lá para os lados de Porto Alexandre/Tombwa, na margem direita do rio Curoca, em frente à fazenda de S. João do Sul, eis que nos deparamos com este singular Oásis de indiscritível beleza, que nos faz sentir num outro planeta, pelos constrastes que se nos oferece aos sentidos.
O Arco é uma magnífica formação rochosa natural onde se respira um ambiente de silêncio, paz e calmaria. O deserto aperta o rio que, aqui, consegue espraiar-se e formar um lago de grandes proporções quando as chuvas são mais pródigas. De facto, ninguém fica indiferente ante a beleza que sobressai do azul esverdeado da Lagoa com a vegetação aquática que a cobre de onde sobressai uma profusão de nenúfares quando chuvas esporádicas alimentam o caudal do rio Coroca que lhes dá força e vida, para além da diversidade de espécies animais, com especial realce para aos belos e elegantes flamingos.
As rochas sedimentares mostram o que terá sido esta zona há milhões de anos atrás: um braço de mar, ou lago marinho, que secou progressivamente, em consequência da acção do sol que se abate sobre o deserto, da carência de chuvas, e dos ventos que secularmente as vem fustigando e desgastando.
Sobre este Oásis, que faz parte das belezas do Parque Nacional do Iona, refere uma Cronica intitulada «O Arco do Carvalhão», que encontrei em www.angola-saiago.net/arcos2.html :
«No meio dessa aridez avistamos o oásis... De longe, parecia um amontoado de rochas ovaladas, de enormes dimensões, sobrepostas, formando uma espécie de morro. Ao aproximarmo-nos, apercebemo-nos de que aquele amontoado tem um arco natural que dá acesso ao seu interior... Lá dentro, a lagoa, os nenúfares flutuando na sua superfície... A temperatura ali é o oposto do calor do deserto...»
Nessa Crónica, encontra-se também este testemunho escrito por um de dois aventureiros estado-unidenses, que «por alí andaram durante 3 anos, tendo percorrido cerca de 245.000 quilómetros pelos mais recônditos lugares deste planeta, o que lhes granjeou um registo no Guinness»:
"6 de Junho de 2000 - Deslocámo-nos através de uma estrada quase impecável, que corta a areia dourada do Deserto do Namibe e onde o cume dos morros se parecem com o topo das mesas. Que mistério será este que faz o vento moldá-los assim? Saímos da estrada em direcção ao Lago do Arco, onde havia uma pequena aldeia com cerca de 15 pessoas (crianças e adultos), que foram ao nosso encontro e nos olhavam com curiosidade. Percorremos uma pequena distância à volta da montanha de pedra até ao lago de um azul-safira, rodeado de plantas e palmeiras. Havia até nenúfares na lagoa. A Natureza tinha esculpido dois grandes orifícios numa das rochas da montanha, o que nos permitia visualizar a lagoa tanto de um lado, como do outro. Um trabalho de arte! O homem jamais teria criado tal maravilha da Natureza! ... "
(...)
“A lagoa junto ao Arco do Carvalhão chamava-se lagoa de S. João do Sul e fazia parte de uma fazenda com o mesmo nome, que distava de Porto Alexandre (hoje Tombua) uns 25 a 30 quilómetros por estrada. (…)”
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“A lagoa junto ao Arco do Carvalhão chamava-se lagoa de S. João do Sul e fazia parte de uma fazenda com o mesmo nome, que distava de Porto Alexandre (hoje Tombua) uns 25 a 30 quilómetros por estrada. (…)”





